IMG_1058Muito antes de acolher Jutta e Hildegarda, a abadia de Disibodenberg já era um local de vida religiosa. Foi no século VI ou VII que seu fundador – Santo Disibod1 – instalou-se nessa colina mas é bem provavel que já houvesse um mosteiro beneditino no local nessa época. Mais tarde, com a morte de Santo Disibod e a difusão de seus milagres, o local ganhou fama e por volta do século XI ou XII, o mosteiro ganhou o nome de Santo Disibod.

Durante uma grande reforma dos mosteiros, o arcebispo Willigis de Mayence (975-1011) fez com que 1105 monges beneditinos da abadia de Santiago de Mayence viessem a Disibodenberg. Foi nesse período que as obras destinadas à ampliação do mosteiro iniciaram e se prolongaram durante 40 anos. Tudo o que sabemos à respeito do fundador dessa abadia, ou seja, Santo Disibod, provém do Vita2 que Hildegarda começou à escrever após sua partida de Disibodenberg - à pedido dos monges.

Através desses escritos, sabemos que Disibod foi um padre irlandês de origem nobre e que em razão de seu bom coração e da sua compaixão, veio à tornar-se bispo. Porém, se sua compaixão era apreciada pelos fiéis, seus adversários eram muito menos piedosos do que ele e esta foi a razão que levou Santo Disibod à renunciar ao seu bispado no final de 10 anos.

Santo Disibod deixa seu país e depois de uma longa peregrinação, ele escolhe finalmente viver sozinho no local que se tornaria mais tarde, Disibodenberg:Cansado das perpétuas piadas do povo, ele decide tomar o caminho do Reno, desvia a sua trajetória, atravessa várias paisagens longínquas e chega a um novo rio que se chama Glan3. Depois de atravessar esse rio, ele vê uma colina alta e florestada, ele a escala e se instala e cansado de seus 10 anos de peregrinação, ele permanece neste local. Inspirado pelo Espírito Santo, ele diz a seus 3 amigos Giswald, Clemens e Sallust, que o tinham o acompanhado desde a Irlanda: “É aqui o meu local de repouso.”4

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Hildegarda descreve igualmente as várias curas e milagres que Santo Disibod realizou assim como a sua devoção incansável com os pobres e os necessitados.

Santo Disibod foi rapidamente elevado ao estatuto de santo. Pessoas vinham de todos os lugares buscar o seu conselho e sua santidade espalhou-se muito além de sua colina. Mais tarde, outros monges decidiram fazer parte de seu mosteiro.

IMG_1062A entrada de Hildegarda no convento de Disibodenberg ocorre em 1112 e marca o início de uma fase que duraria aproximadamente 30 anos. Infelizmente, não há quase nenhum documento desse período nos dias de hoje. Por essa razão, é difícil de imaginar (com exatitude) a vida cotidiana de Hildegarda e a maneira como ela vivia nessa época.

Na vida dentro de um mosteiro, de uma maneira geral, as religiosas viviam verdadeiramente reclusas segundo a regra do local ou então, elas viviam de maneira um pouco semelhante à vida que as religiosas levam num convento em nossos dias atuais. Nesse caso, as religiosas possuíam um pouco mais de liberdade dentro e fora do mosteiro do que as religiosas que viviam reclusas. Porém, Hildegarda foi muito além da vida de uma simples religiosa do século XII!

Hildegarda foi - durante 12 anos - a testemunha ocular de uma fase de importantes mudanças e ampliações na imensa região de Disibodenberg. Várias construções se levantaram: uma nova igreja (consagrada em 1143) e vários outros edifícios funcionais.

Após a morte prematura da abadessa Jutta de Spanheim em 1136, Hildegarda se tornou responsável pela comunidade das irmãs em Disibodenberg. Ela trará uma nova vida ao mosteiro que até então, estava habituado à uma maneira de viver extremamente ascética (legado dos predecessores que dirigiram a comunidade).

Notas:

Saiba mais sobre as Ruínas de Disibodenberg AQUI.

  1. Disibod foi um monge, eremita e santo da Irlanda, mencionado pela primeira vez no martirológio de Hrabanus Maurus (século IX). Transferiu-se para o Reino dos Francos em 640 como missionário acompanhado por seus discípulos Giswald, Clemens e Sallust. Trabalhou na região de Vosges e Ardennes, e por uma visão que teve em um sonho, ergueu um eremitério na confluência dos rios Nahe e Glan, onde mais tarde foi construído o Mosteiro de Disibodenberg. Sua biografia foi escrita no século XII por Santa Hildegarda de Bingen, mas sua fiabilidade histórica não é reconhecida;
  2. No Cristianismo, um Vita (do latim vita: vida) é um livro onde são relatados a vida e os milagres de um santo;
  3. O Glan é um rio de aproximadamente 68 km na Alemanha. Ele segue até o norte pela Renânia-Palatina até o rio Nahe, em Odernheim am Glan, próximo à Bad Sobernheim. Este rio também atravessa as cidades de Altenglan, Glan-Münchweiler, Lauterecken e Meisenheim;
  4. Traduzido livremente do francês: “Fatigués de moqueries perpétuelles du peuple, il se hâta de prendre le chemin du Rhin, dévia sa trajectoire, traversa ces paysages reculés et atteignit le fleuve appelé Glan. Après avoir traversé ce cours d’eau, il vit une colline très haute et boise, Il l’escalada, s’installa, fatigué de ses dix années de pèlerinage, et s’y arrêta. Inspiré par l’Esprit saint, il dit a ses trois compagnons, Giswald, Clemens et Sallust, qui l’avaient suivi depuis l’’Irlande: “C’est là qu’est mon repos.

Bibliografia:

- Textos do MUSEUM AM STROM de Bingen sobre a vida e obra de Hildegarda de Bingen (original em francês: Textes des tablettes de la nouvelle exposition permanente “Hildegarde de Bingen”);

- BREINDL Ellen, Hildegarde de Bingen: Une vie, une oeuvre, un art de guérir en âme et en corps, Editions Dangles, 2010.

Agradecimentos:

Muito obrigada à Sarita Testoni por sua gentileza e colaboração na elaboração deste texto.

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