Santuário de Nossa Senhora de Laus

Aparição de Nossa Senhora à Benoîte Rencurel em Saint Etienne de Laus, na Provença, França.

Nossa Senhora de Laus

(1664 )

LAUS, NA FRANÇA

Ano dedicado á Benoîte Rencurel:

28 de dezembro de 2017 á 28 de dezembro de 2018.

Eu pedi Laus a Meu Filho para a conversão dos pecadores e Ele vos concedeu para mim”.
Palavras da Santíssima Virgem à menina Benoîte, em Laus, França, 1666.

O Vale de Laus está situado em Dauphiné, sul da França, aos pés dos Alpes, a sudeste de Gap. No dialeto local a palavra Laus significa lago. Em 1666, a pequena aldeia era formada por vinte famílias espalhadas em oito pequenas casas. Os habitantes tinham construído uma capela dedicada à Anunciação, em Notre-Dame du Bom-Rencontre (Nossa Senhora do Bom Encontro, significando Anunciação).

A VIDENTE BENOÎTE (lê-se benuate)

Benoîte Rencurel nasceu em 16 de setembro de 1647 em Saint-Étienne d'Avançon (Alpes do sul – na França); seu pai faleceu quando tinha apenas 7 anos. Nunca aprendeu a ler ou escrever e sua única instrução era o sermão da Missa dominical.

SÃO MAURÍCIO

Um dia a menina viu alguns homens indo para sua casa. Ela correu para avisar a mãe, lutando contra um deles que se atreveu a oferecer o seu dinheiro em troca de sua força.

Benoîte e sua família eram doze pessoas ao todo e viviam em dolorosa penúria; ela aceitou a proposta de pastorear ovelhas para dois patrões ao mesmo tempo. Assim, em meio à privação, sacrifício e oração, a jovem pastora foi predestinada e preparada para a missão que desempenharia mais tarde.

Em maio de 1664, quando cuidava de seu rebanho e rezava o terço, sua devoção favorita, repentinamente deparou-se com um venerável homem que trajava vestes semelhantes às de um bispo da Igreja primitiva. Ele veio até ela e disse: “Minha Filha, o que você está fazendo por aqui? ”

Estou cuidando de minhas ovelhas, orando a Deus e à procura de água para beber”.

Eu vou tirar água para você”, responde o homem idoso. E ele se dirige até à beira de um poço que Benoîte não tinha visto.

Você é tão bonito! ” disse ela. “Você é um anjo, ou Jesus?

Eu sou Maurice (Saint Maurice, ou São Maurício), a quem a vizinha capela (então em ruínas) é dedicada… Minha filha, não volte a este lugar. Faz parte de um território diferente, e os guardas tomariam o seu rebanho, se a encontram por aqui. Vá para o vale acima em Saint-Étienne. Lá você verá a Mãe de Deus.

Mas Excelência, Ela está no céu. Como eu poderei vê-La onde dizes?

Sim, Ela está nos céus, na terra, e também onde Ela quer.”

A FORMOSA SENHORA COM O MENINO EM SEUS BRAÇOS

Um dia de maio de 1664, Benoîte, que trabalhava de pastora para uns camponeses vizinhos, estava rezando o rosário quando viu uma formosa Senhora que tinha consigo um menino de beleza singular.

De frente a pequena gruta que estava no local, a menina viu uma Senhora de beleza incomparável trazendo uma não menos bela criança em suas mãos.

"Formosa Senhora! - diz Benoîte - O que estão fazendo aí acima? Querem comer comigo? Tenho um pouco de pão bom; o molharíamos na fonte".

A Senhora sorri diante de sua simplicidade, mas não lhe diz nada. "Formosa Senhora! Poderia dar, por favor, á esse menino, que tanto nos alegraria?".

 A Senhora sorri de novo sem responder. Depois de permanecer algum tempo com Benoîte, toma o menino em seus braços e, ao cair da tarde, entra na gruta e desaparece.
No dia seguinte e durante os próximos quatro meses, Benoîte contemplou aquele lugar a alegria dos Anjos e os ornamentos do Céu.

Antes de fazer de Benoîte Sua amiga e dispensadora das Suas graças, a Santíssima Virgem acompanha dedicadamente a pastora, atraindo para Si a alminha da menina com irresistível atração. Em seguida, depois de dois meses de silêncio, fez dela sua aluna e começou a falar-lhe, a fim de ensinar, testar e incentivá-la.

Manifestando-se sobre aquela isolada montanha para uma menina iletrada, a Rainha do Céu condescendeu uma intimidade afetiva que seria surpreendente se nós não soubéssemos que a bondade de Maria não tem limites.

Durante quatro meses, a Senhora se mostra todos os dias á Benoîte, sempre conversando com grande familiaridade com a jovem, educando-a para sua futura missão.

Um dia, Nossa Senhora convidou Benoîte para descansar ao lado dela. Cansada por brincar com o Menino, a menina pastora dormiu pacificamente sobre a orla do manto da Virgem. Em outra ocasião, com o objetivo de instruir as mães do povoado a ensinarem seus filhos a rezar, Maria Santíssima repetiu, palavra por palavra, a Ladainha de Loreto. Instruiu também Benoîte a ensinar as meninas de Saint-Étienne a irem à Igreja para rezar e cantar todas as noites.

O rosto da menina pastora transfigurava-se no momento das aparições. Ela compartilhou sua felicidade com as pessoas do povoado com alegre simplicidade. Vendo a mudança característica que ocorre nos semblantes dos videntes, as pessoas começaram a perguntar, “O que ela está vendo? Seria a Santíssima Virgem que ela está vendo?” Benoîte nunca ousou perguntar à Senhora quem era, contentando-se em desfrutar da alegria que a dama lhe proporcionava.

Benoîte, então, conta suas visões à proprietária do rebanho, que num primeiro momento não acredita na jovem. Porém, numa manhã, a sra. Rolland, patroa de Benoîte, uma mulher de posses que não tinha qualquer interesse em religião, queria ver por si mesma o que estava realmente ocorrendo no local das aparições e a segue em segredo até o pequeno vale do Fours. Ela chega antes de Benoîte na gruta e esconde-se atrás de uma pedra. A menina pastora chegou alguns instantes mais tarde e logo já viu a Virgem Santíssima. A sra. Rolland não consegue ver a Senhora, mas ouve as palavras que esta dirige a Benoîte á seu respeito: " “Sua senhora está escondida atrás da pedra”, disse Maria. “Diga-lhe para que não mais blasfeme contra o nome de Jesus, porque se ela continuar agindo assim não haverá paraíso para ela: tem uma mancha na consciência. Que faça penitência". A aparição pede a Benoîte que advirta a sua proprietária dos perigos que corre sua alma. Após escutar as palavras da aparição, afetada por aquilo, a proprietária se corrige, volta a freqüentar os sacramentos e vive o resto de seus dias muito cristianamente.

MENSAGENS DA APARIÇÃO


A notícia das aparições começaram a se espalhar e as pessoas comentavam por toda parte. Muitos acreditaram, mas vários permaneceram incrédulos e viam a menina pastora como uma falsa mística. Entre as muitas pessoas que apoiaram Benoîte poucas foram as meninas de St. Stephen’s que, tal como ela, amavam Maria de todo coração.

A Santíssima Virgem disse à menina pastora: “Diga às meninas de St. Stephen que cantem a ladainha da Santíssima Virgem na Igreja todas as noites, com a permissão do Prior, e você verá o que vai acontecer”.

De fato, uma vez que tinham aprendido a sua “lição”, a ladainha era cantada todas as noites com muita devoção.

Interessante observar que Laus está situada na diocese de Embrun. Desde 1638, ano da consagração da França à Maria Santíssima pelo Rei Luis XIII, a ladainha de Loreto era cantada regularmente na catedral de Embrun. Devido aos relatos das aparições, Francois Grimaud, magistrado de Avançon Valley, um bom católico e homem íntegro, decidiu instaurar um inquérito. Após um sério exame ele concluiu que Benoîte não enganava ninguém, nem era uma impostora, muito menos uma doente mental. Ele também observou que a “Bela Senhora” não havia pedido a Benoîte para revelar sua identidade.

A pedido do magistrado, embora isso custasse muito à Benoîte, ela foi obrigada a perguntar: “Minha boa Senhora, eu e todas as pessoas neste local não sabemos quem é a senhora. A senhora é a Mãe de nosso bom Deus? Agradeceria muito se me dissesse que é, e construiremos uma capela aqui para homenageá-la”.

Em 29 de agosto, Benoîte pergunta a visitante como esta se chama, e a aparição lhe responde: “Eu sou Maria, a Mãe de Jesus”.

Em resposta, a aparição celeste respondeu que não havia necessidade de construir coisa alguma ali porque Ela tinha escolhido um local mais agradável. Então acrescentou: “Eu sou Maria, a Mãe de Jesus. Você não me verá mais aqui por algum tempo”. E Benoîte não viu a Senhora Celestial durante um mês inteiro. Isso causou um pesar tão profundo na menina que sem a ajuda do Céu ela não teria sobrevivido.

Em 20 de setembro de 1664, do outro lado da ribeira, a meio caminho da colina que leva a Laus, ela viu novamente a Santíssima Virgem. “Ah, boa Mãe!” exclamou ela, “por que a Senhora me privou da alegria de vê-la por tanto tempo?” Então ela atravessou o córrego que estava bem cheio e lançou-se aos pés da Rainha do Céu.

A Bem-Aventurada Virgem lhe disse: “De agora em dia, você me verá apenas na capela que está em Laus”.

Maria mostrou-lhe o caminho que ela deveria subir ao longo do morro em direção a Laus, uma aldeia que a menina tinha ouvido falar, mas nunca visitara, embora conhecesse a aldeia de St.-Étienne d’Avançon. Assegurou-lhe que reconheceria o lugar quando sentisse uma “doce fragância”.

Porém, Benoîte passou um longo tempo procurando pelo local, em lágrimas, passando aqui e ali sempre à procura. Ela parou na entrada de cada habitação na tentativa de detectar a “doce fragância”. Finalmente, ela sentiu o perfume perto de uma porta entreaberta.

Ao entrar na humilde capela abandonada, Benoîte encontrou a sua Bela Dama de pé, sobre um altar coberto de poeira: “Querida Senhora, gostaria que eu depusesse meu avental sob seus pés? Há muito pó!”

Não, minha filha… Logo nada faltará neste lugar — nem vestes, nem altar de linhos, nem velas. Eu desejo que seja construída uma grande igreja neste local, juntamente com um edifício para abrigar alguns padres residentes. A igreja será construída em homenagem ao meu querido Filho e a Mim. Aqui muitos pecadores serão convertidos. Eu irei aparecer muitas vezes neste lugar”.

Sobre o altar empoeirado a Santíssima Virgem lhe disse: “Minha filha, você tem procurado diligentemente por Mim, mas não deveria chorar. Mesmo assim, você Me deixou satisfeita por não ter se mostrado impaciente.

Benoîte humildemente aceitou esta observação.

 “Construir uma igreja?” exclamou Benoite. “Não há dinheiro para isso aqui!”

Não se preocupe. Quando chegar a hora de construir, você irá encontrar tudo o que precisar, e não demorará. Os tostões dos pobres irá fornecer tudo. Nada irá faltar.”

Essas palavras da Mãe de Deus foram realmente cumpridas. Conforme propagava-se a notícia das aparições, o número de visitantes a Laus aumentava gradativamente. Graças e bênçãos eram derramadas sobre as almas; centenas e milhares de pessoas começaram a vir rezar na capela dos pobres. Curas de todos os tipos abundaram e pecadores foram convertidos em grande número. Em 25 de março de 1665, menos de um ano após a primeira aparição, uma imensa multidão chegou à capela deserta.

Nesse mesmo ano, em 3 de maio, por ocasião da Festa de Santa Cruz, trinta e cinco paróquias convergiram até ali, cada qual com sua respectiva bandeira. Altares para confissões tiveram que ser improvisados ao ar livre para atender a piedade do povo. Sacerdotes da região viram-se obrigados a oferecer sua ajuda ao Padre Fraisse, pároco de Saint-Étienne, e ouvir as muitas confissões.

Durante o inverno de 1664-1665, Benoîte sobe até Laus muito frequentemente para encontrar-se com a Santa Virgem e a aparição lhe recomenda "rezar continuamente pelos pecadores". Mais tarde, a notícia das aparições se propaga entre os aldeões e também as autoridades do clero. Um grande combate começa então, até que, finalmente, estes acreditem que Benoîte tenha realmente visto Nossa Senhora.

Naquela época, Laus pertencia à Diocese de Embrun. Sendo da Diocese de Gap, Padre Gaillard não possuía autoridade para passar um acórdão oficial. Após a recomendação de vários sacerdotes, ele escreveu para o Padre Antoine Lambert, Vigário Geral da Diocese de Embrun, e pediu que ele iniciasse um inquérito eclesiástico.

Padre Lambert mostrou-se mais frio em ralação as aparições em Laus. Ele estava convencido de que as visões de Benoîte eram diabólicas e a jovem pastora uma visionária comum.

Em 14 de setembro de 1665, voltou para Laus na companhia de vários eminentes sacerdotes, todos opositores aos acontecimentos em Laus, dispostos a pôr fim a “esta magia”, denunciar a postura de Benoîte e fechar a capela.

Quando a pobre pastora ouviu que tinham chegado, ela tinha tanto medo que procurou fugir, mas a Mãe de Deus a tranqüilizou: “Não, minha filha, você não deve fugir. Você deve continuar e fazer justiça a esses homens da Igreja. Interrogar-te-ão um por um e tentarão confundi-la com suas próprias palavras. Mas não tenha medo. Diga ao vigário geral que ele pode muito bem tornar Deus que desce do céu na Eucaristia com o poder que recebeu quando se tornou padre, mas ele não tem ordens para dar a Mãe de Deus”.

O vigário geral respondeu: “Bom, se aquilo que as pessoas estão dizendo é verdade, então reze à Ela para me mostrar a verdade através de um sinal ou um milagre, e então farei tudo o que posso para realizar a Sua vontade”.

Diga ao vigário geral que ele pode muito bem tornar Deus que desce do céu na Eucaristia com o poder que recebeu quando se tornou padre, mas ele não tem ordens para dar a Mãe de Deus”.

Por inspiração da Virgem, a menina pastora respondeu-lhe: “Eminência, embora o senhor possua o poder de a cada manhã fazer Deus chegar até ao altar pelo divino poder que recebeu quando se tornou padre, o senhor não tem ordem para dar à Sua santa Mãe, e ao que a Ela agrada realizar aqui.”

Impressionado com estas palavras, o vigário geral respondeu: “Bom, se aquilo que as pessoas estão dizendo é verdade, então reze à Ela para me mostrar a verdade através de um sinal ou um milagre, e então farei tudo o que posso para realizar a Sua vontade. Mas, mais uma vez, tome cuidado para que todas essas coisas não sejam ilusões e efeitos de sua imaginação para iludir o povo. Não permitirei abusos e lutarei com todos os meios ao meu alcance”.

Na manhã seguinte, uma mulher bem conhecida da área com o nome de Catherine Frasco tinha sido vítima, nos últimos seis anos da contração dos nervos em suas pernas: eram ambos dobradas para trás e parecia vinculado ao seu corpo, e nenhum esforço poderia separá-los. O seu caso tinha sido declarado incurável por dois eminentes cirurgiões da região. Esta mulher entrou na capela, caminhando com suas próprias pernas, enquanto o vigário geral estava celebrando a missa. Sua presença causou uma grande agitação no povo que exclamava: “Milagre! Milagre! Catherine Frasco está curada!” Movido pelas lágrimas, Padre Lambert teve grande dificuldade para terminar sua missa. Padre Gaillard, que estava servindo, escreveu, “Eu sou um fiel testemunha de tudo o que ocorreu.” E o vigário geral declarou, “Existe uma coisa extraordinária ocorrendo nesta capela. Sim, a mão de Deus está lá!” O vigário geral finalmente autorizou a construção da igreja, conforme a Virgem solicitara.

Em 7 de outubro de 1666, Festa do Santo Rosário, Padre Gaillard estabeleceu a primeira pedra do edifício, e os Padres da Gap Dominicana presidiram a uma longa procissão de peregrinos. Foi nessa ocasião que Benoite se tornou uma Dominicana Terciária. A partir de então, ela usava o véu e a capa de terciário, e o povo começou a chamá-la “Irmã Benoite”.

Os primeiros historiadores da Laus são unânimes em mencionar o milagre da “doce e celeste fragrância” do lugar: “A Igreja de Nossa Senhora de Laus foi construída para o canto dos salmos e hinos. As mãos dos pobres reuniram todo o material, fizeram doações e cavaram seus alicerces. A Providência levantou suas paredes, e a confiança em Deus”.

Consta nos manuscritos do relatório de Laus que “cada vez que a Virgem lhe homenageava com Sua visita, as pessoas sentiam uma fragrância celestial permeando toda a Igreja. Às vezes, as vestes da menina pastora foram profundamente impregnadas com o celeste perfume até oito dias. De modo sobrenatural, essas fragrâncias eram tão doces e deliciosas que elevava a alma, superando todas as outras fragrâncias da terra”.

Em 1716, porque ele ainda sentia essa “doce fragrância,” Honore Pela, um escultor de Gap, doou uma bela estátua em mármore de Carrara, representando a Virgem e o Menino. Mesmo em nossos dias, este fenômeno de fragrâncias ainda é ocasionalmente experimentado pelos peregrinos. Para evitar qualquer possibilidade de engano, flores, normalmente, não são permitidos no santuário.

Sempre que Benoîte era visitada por sua boa Mãe, seu rosto parecia resplandecer, como o de Moisés ao descer do Sinai; ela permanecia de joelhos, recitava a ladainha da Santíssima Virgem, e depois, durante o resto do dia sentia-se incapaz de comer.

Em 18 de setembro de 1665, quando Benoîte tem 18 anos, as aparições e a peregrinação são reconhecidas oficialmente por parte da autoridade diocesana e, á partir do outono desse ano, começa a construção de uma igreja para poder acolher aos peregrinos, que cada vez são mais numerosos.

Nossa Senhora se revela em Laus como reconciliadora e local santo de refúgio dos pecadores, e por isso, contribui com sinais para convencer á todos da necessidade de converter-se ao Cristo e levar uma vida digna onde a oração sempre esteja presente. A Virgem Maria também anuncia á Benoîte que o óleo da capela (que arde ante o Santo Sacramento) obrará curas nos doentes que o apliquem, se recorrerem com fé á sua intercessão.

Benoîte tomou muito á sério a missão recebida da Virgem Maria e dedicou-se á preparar os pecadores para que recebessem o sacramento da Penitência. Esta é uma das razões que você verá, com frequência, dois sacerdotes adscritos ao santuário com a missão de receber os peregrinos com doçura, paciência e caridade, empregando uma bondade especial para com os mais pecadores a fim de incitá-los ao arrependimento e escutá-los no sacramento da Confissão.

Inspirada pelo Céu, Benoîte persuadia os pecadores para que se confessassem e, se necessário, revelava-lhes pecados esquecidos ou escondidos. Ela podia “ver consciências como em um espelho, todos de uma vez”, dizia. Este seu carisma permitia-lhe ler nas almas suas falhas, pecados graves ou menos graves, motivações ocultas, hipocrisia e erros muitas vezes cometidos inconscientemente. Ela exortava as pessoas para um estado de simplicidade e pureza de alma, humildade e firme vontade de melhorar.

Às vezes, Benoîte era obrigada a fazer observações dolorosas e dizer coisas que não eram fáceis de se ouvir, mas ela era tão gentil e compassiva que as pessoas que a procuravam em geral ficavam muito gratas a ela. Essas pessoas, depois que conversavam com ela, sentiam-se motivadas a purificar cada aspecto de suas consciências, de modo a transformarem verdadeiramente suas vidas.

Sua tarefa mais difícil era repreender ou avisar certas almas segundo as solicitações de Nossa Senhora.  Benoîte confessava que se sentia indigna para realizar essa tarefa. Além disso, a Santíssima Virgem muitas vezes lhe repreendia, embora com doçura maternal. Essas admoestações a constrangia e algumas vezes ela aguardava uma segunda ordem de Maria Santíssima para obedecer.

A Virgem Maria pede a Benoîte que incite as mulheres e moças de vida escandalosa e promíscua - especialmente as que cometeram o aborto -  á mudarem suas vidas e se se converterem e se apegarem ao Cristo, que tudo perdoa e tudo cura, mesmo as almas mais doentes. Esse pedido também estendeu-se  aos ricos injustos ou perversos, aos sacerdotes e religiosos infiéis aos seus compromissos sagrados. Seu filho, o Cristo, acolhe á todos com Seu perdão, sem nenhum julgamento, mas apenas com Sua misericórdia. Ele assim o faz até hoje!

Muitos sacerdotes foram advertidos pela Virgem, através de Benoîte, quanto a sua indiscrição, falta de prudência na forma de questionar penitentes, por seus comportamentos negligentes, rancores.

A Virgem lhe aconselhava: “Tome sempre cuidado, Minha filha! Tenha paciência… Faça o seu dever alegremente… Não guarde nenhum ódio contra os inimigos de Laus… Não se incomode com os doentes que a procuram, ou se as pessoas não ligam para seus conselhos… Não se deixe perturbar pelas tentações nem pelos assuntos seculares… Esforce-se para nunca abandonar a presença de Deus, porque quem tem fé nunca se atreve ofendê-lO.”

Entre 1669 e 1679, Benoîte é abençoada com 5 aparições de Cristo, num grande sofrimento. Uma sexta-feira de julho de 1673, Jesus ensanguentado, diz-lhe: "Minha filha, mostro-me neste estado para que participes das dores de minha Paixão".

Transportada nessa tristeza, a menina disse: “Oh, meu Jesus, se você permanecer mais um instante revelando-me Sua paixão, vou morrer!

Essas visões da paixão do Senhor causavam-lhe tanto sofrimento que um dia seu Anjo Guardião veio tranqüiliza-la, dizendo: “Não se perturbe, minha irmã. Embora o nosso Divino Mestre tenha surgido a você nesta condição, Ele não está sofrendo qualquer coisa agora. Ele quis apenas mostrar-lhe o quanto sofreu por amor a raça humana.”

Mas essas palavras não a consolavam.

A Santíssima Virgem apareceu-lhe no sábado seguinte e disse: “Você não terá mais os sofrimentos das sextas-feiras, mas terá muitos outros”.

Numa obra antiga e escrita por um padre que estudou os acontecimentos de Laus, é relatado com cuidado e detalhes todos estes fatos maravilhosos.  Cita-se igualmente os combates – que não foram poucos - que a privilegiada vidente teve de sustentar para poder cumprir sua missão.

O ódio de Satanás fazia-se sentir cada vez mais em tudo ao seu redor. Na verdade, Cristo sempre marca a autenticidade de suas obras com o selo de Sua Cruz. Passou então a ocorrer uma onda de falsas aparições naquela região, a ponto de enganar muitas almas fracas. As devoções a Laus praticamente pararam por um tempo. Benoîte vivenciou profunda solidão e desprezo de todos ficando privada até mesmo da companhia de seus diretores espirituais.

O ANJO DA GUARDA DE BENOÎTE

Mesmo assim, a tática doas trevas não obteve sucesso em arruinar completamente a peregrinação. O Anjo de Guarda de Benoîte, para confortá-la, levantou-lhe um pouco do véu que escondia seu futuro: “Haverá sempre problemas em Laus até que sejam estabelecidos religiosos aqui”.

Em 18 de março de 1700, o Anjo Guardião de Benoîte disse-lhe, “a devoção de Laus é obra de Deus, que nem o homem nem o diabo poderão destruir. Continuará até o fim do mundo, cada vez mais próspero e ostentando grandes frutos em todos os lugares”.

Por um lado, a heróica escolhida de Maria era atormentada pelos demônios do inferno, por causa de seu carisma em favor da conversão dos pecadores. Mas, por outro lado, ela viveu na familiaridade com os anjos. Ela foi especialmente perto de seu Anjo Guardião, a quem confidenciava todas as dores e sofrimentos, consultando-o frequentemente.

Por sua vez, seu Anjo sempre correspondeu a esta confiança absoluta em todos os tipos de serviços. Devido à perfeita simplicidade de Benoîte, o contato com seu Anjo Guardião era um fenômeno natural para Benoîte. Seu Anjo ensinou-lhe as virtudes de algumas plantas e lhe ajudava a limpar sua pequena capela.

Uma vez, ela havia esquecido seu xale, pouco mais de um pano cortado, pendurado em uma floresta. Chegando à noite e sofrendo amargamente de frio, seu Anjo lhe apareceu, trazendo em suas mãos o xale esquecido. Em muitas ocasiões ele abriu a porta da igreja para ela e recitou o Rosário em sua companhia. Por outro lado, ele também sabia quando corrigi-la. Chegou a confiscar um belo Rosário que havia sido dado a Benoîte, e para o qual ela tinha um grande apego. Depois de um longo tempo ele o devolveu.

A despeito dos contínuos sofrimentos, Benoîte permaneceu fiel aluna de Maria e eficaz intercessora para a conversão dos pecadores. Quando sua boa Mãe do Céu deixou de visitá-la, isso para sua purificação, Satanás gritou: “Ela abandonou você… Você não terá mais qualquer recurso, somente a mim! Benoîte respondeu: “Ah, eu preferiria morrer mil vezes abandonada por Maria, do que renunciá-la por um só momento!”


Depois de mais de duas décadas de sofrimentos e constantes aparições da Virgem Maria, Benoîte recebe a Comunhão no dia de Natal de 1718 e três dias mais tarde, se confessa e recebe a Unção. Por volta das oito da noite, Benoîte se despede dos que a rodeiam e, logo, depois de beijar um crucifixo e olhar em direção ao céu, deixa este mundo em paz.

Irmã Benoîte Rencurel foi declarada Venerável em 1871 e beatificada em 1984.

A IGREJA EM LAUS

A Igreja no Laus foi elevada à categoria de Basílica menor em 1893. No dia 05 de maio de 2008, a Igreja francesa reconheceu oficialmente o caráter sobrenatural das aparições de Nossa Senhora a Benoîte Rencurel, no Santuário de Laus, nos Alpes franceses. Para a ocasião, houve uma Celebração Eucarística, presidida pelo bispo da diocese de Gap e de Embrun, Dom Jean-Michel di Falco Leandri, que assinou o decreto de reconhecimento.

Durante 54 anos, a Santíssima Virgem Maria formou e animou Benedita, para que ela fosse sua colaboradora na conversão dos pecadores. Foi construída uma igreja em que se dispensaram numerosas graças por Nossa Senhora.

Na igreja construída para perpetuar suas aparições, foi colocada uma imagem da Virgem Maria que tomou o título de Nossa Senhora de Laus.

O ÓLEO DA LÂMPADA DO SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DE LAUS

Nossa Senhora pediu que um óleo santo fosse queimado continuamente e distribuído aos fiéis: “Uma gota é o suficiente. O restante é a fé.

Este óleo é uma graça da Virgem Maria para a conversão e cura de todos os seus filhos e filhas que lhe utilizarem com fé; é também a Presença Eucarística (pedido da oração de Benoîte): “A presença desse óleo indica a Presença do Salvador, que é o Senhor do Universo, o pão vivo vindo do Céu.1

Você recebe esse óleo gratuitamente no Santuário2 e também pode vê-lo queimando ao lado do altar. O óleo da lâmpada do Santuário de Nossa Senhora de Laus, nunca deixou de queimar desde a primavera de 1665 e, como foi dito logo acima, é o símbolo da radiante Presença Divina do Corpo Eucarístico de Jesus que jamais cessa de curar: “Saia de Seu corpo uma força que curava a todos. ”3

Os manuscritos do Santuário, datados de 1665, já anunciam as primeiras curas realizadas com o uso do óleo da lâmpada do santuário e desde então, várias outras curas já fazem parte dos registros do local.4

Como são curadas tantas pessoas de todo tipo de mal ao usarem o óleo da lâmpada da capela! Cada um o leva para sua região e país e ao dividi-lo com seus vizinhos, acaba por curar outras pessoas sem que estas saibam que este óleo vem de Laus.”5

Basta ter fé e colocar-se em estado de graça para receber...”6

Como já foi dito anteriormente, o óleo da lâmpada do Santuário de Nossa Senhora de Laus fica ao lado do altar, na Igreja do Bom Encontro (Eglise du Bon-Rencontre). Este óleo é consagrado pelo bispo como os óleos santos. Ele queima dia e noite diante de Jesus Eucarística e diante da imagem de Nossa Senhora de Laus, próximo ao túmulo de Benoîte onde o anjo que lhe apareceu disse: “Teus ossos farão milagres. Doentes virão de longe para serem curados e serão curados. Pois eu escolhi este lugar para a conversão dos pecadores. ” Este óleo é distribuído no santuário e enviado a outros lugares e países – quando pedido - se necessário.

Atenção: Este óleo não é e jamais será comercializado. As pessoas que o recebem oferecem doações espontaneamente, caso o desejarem e se puderem fazê-lo, no valor que desejarem e puderem. NADA É COBRADO. Qualquer tentativa de venda é contra os princípios do Santuário!

Notre Dame du Laus

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Para obter informações e/ou entrar em contato com o santuário:

Sanctuaire Notre-Dame du Laus

05130 Saint-Étienne-le-Laus

Telefone: (33) 04.92.50.94.00

Fax: 04.92.50.90.77

Mail: accueildupelerin@notre-dame-de-laus.com

Site: www.notre-dame-de-laus.com

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Fonte:

Padre COMBAL, René, L´Huile de la Lampe du Sanctuaire, Notre Dame de Laus, 2017;

(site) Nossa Senhora de Laus

(site) Salve Maria Imaculada!

(site oficial) Sanctuaire Notre-Dame-du-Laus

Notas:

1, 3, 4, 5 e 6 foram traduzidas livremente do texto em francês do livreto L´Huile de la Lampe du Sanctuaire (Óleo da Lâmpada do Santuário) do padre René Combal;

2 - basta ir ao site oficial Sanctuaire Notre-Dame-du-Laus e clicar em RECEVOIR L'HUILE DU LAUS (receber o óleo de Laus). Atenção, site e textos em francês.